quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sofrimento pedagógico



Há alguns dias fiquei sabendo que um amigo muito jovem está seriamente doente. E o pior é que ele não é o primeiro entre nós. Existem outros parceiros de ministério, servos de Deus, do tipo "pau pra toda obra" que tiveram que negar algumas empreitadas por enquanto por estarem trincados. Quando recebi a notícia, pensei: Isso não é justo! Tanta gente medíocre e improdutiva no mundo, por que freiar justamente alguém tão fiel e apaixonado pelo reino? Repirei fundo. Uma pausa pra digerir a situação e me lembro: "Quem guiou o Espírito do Senhor ou como seu conselheiro o ensinou?" ¹ Deus realmente está no controle, e eu aqui questionando o Soberano?! Quanta prepotência da minha parte! Foi um lapso...

Mas, tenho certeza que não sou a única a pensar assim. Muito antes de mim, Asafe externou no Salmo 73 sua incompreensão, pois "os ímpios não sofrem dores, nem são afligidos como os demais homens", blasfemam contra Deus e ainda "transborda as fantasias do seu coração". Indo mais longe do que meus pensamentos, ele chega a pensar que parece estar seguindo os preceitos de Deus em vão. Que absurdo! - pensariam os legalistas. Mas foi o salmista quem disse. Antes de repreendê-lo, prossegui a leitura e concordei com sua conclusão: "Quando me esforçava para entender isto, achei que era tafera díficil demais pra mim, até que entrei no santuário de Deus..."²

Entender a forma de Deus agir realmente é uma tarefa difícil demais pra seres humanos como nós. É por isso que entrar no santuário do Altíssimo e colocar diante dele nossas questões faz toda a diferença - não necessariamente Ele as responde, mas isso não deixa de ser didático. Pensamos que sabemos tudo e, na nossa linha de raciocínio, permitir situações paralisantes a homens e mulheres que vivem para o Reino não faz o menor sentido. Acontece que assim como o salmista, antes de entrar no santuário de Deus, bem como você, eu "nada sabia". Nada sabia sobre a grandeza de Deus e sobre a total dependência do homem. Não sabia que "Deus está mais interessado em moldar nosso caráter do que em nos mimar". Talvez até soubéssemos disso na teoria. Mas no cristianismo, a teoria por si só não é suficiente. Principalmente quando se trata de pessoas referenciais. Pessoas como as que inspiraram essa reflexão, representantes autênticas do Pai Celestial, precisam saber disso na prática. Porque indivíduos convocados para operações especiais recebem treinamentos especiais.

Sob esse ponto de vista, o que acontece de ruim a estes não parece injusto. Ao contrário. Injusto seria não permitir que expandissem seu potencial. Injusto seria não exigir dos melhores alunos, os melhores resultados... Nenhum professor submete alunos medíocres a provas que eles não seriam capazes de ultrapassar. Muito mais Deus, o maior mestre do universo, reconhece em nós o potencial que Ele mesmo nos deu e o explora. Sabe o que isso quer dizer? Em primeiro lugar que Deus sabe exatamente o que está fazendo; e em segundo lugar, "que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito"3.

¹Is 40:13

²Sl 73

3 Rm 8:28

Dedicado a Janaína Magalhães e Leonardo Claudino.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

COMO DIRIGIMOS NOSSAS VIDAS?


Adoro dirigir. Acho prazeroso, lúdico e emocionante. Contudo, odeio duas coisas relacionadas a direção automobilística, o trânsito e as “engenharias de tráfego” de nossas cidades, aliás moro em uma cidade que está constantemente em obras por causa da copa 2014 e Olimpíadas 2016, sem contar os interesses escusos por trás, mas isso é outro papo(rs) e ser carona. E não suporto a ideia de que outra pessoa dirija e eu apenas olhe e não tome as rédeas do veículo.


Mas a questão principal é que nestes meus 9 anos de habilitação( é, to velho) e consequentemente de motorista, aprendi que existem ao menos 3 tipos de nós: Os que “sabem o caminho”, os que “perguntam o caminho” e os que “confiam no GPS”.

Os que sabem o caminho são infalíveis (pelo menos na sua cabeça), ainda que já tenham falhado dezenas de vezes. Não aceitam conselhos, orientações e ainda se insurgem contra o pobre carona que vai sugerir alguma coisa. Este tipo de motorista confia plenamente em si mesmo e na sua capacidade de saber todos os caminhos e como chegar em todos os lugares sem erro(SQN)!

Os que perguntam o caminho ( confesso que é o meu tipo), simplesmente tem uma noção do lugar para onde querem ir e conhecem algumas coisas do caminho, como estradas principais, pontos de referência e coisas do tipo, e se por ventura não conseguirem chegar ao local, perguntam para qualquer um que esteja na rua, que esteja passando, até pra criança jogando futebol(sério, eu já fiz), como se chega no lugar desejado.

E o terceiro tipo é meticuloso, metódico, traça as rotas no GPS e ouve aquela ‘doce voz’(SQN mesmo!!) dizendo: “Vire a direita”, “a 100 metros vire a esquerda” e coisas do tipo. O caminho está planejado, o GPS não pode errar, o Google maps nunca erra, e inclusive nos avisa dos pardais!! É uma confiança absoluta no que foi programado, mas mudanças acontecem nos mapas, áreas novas surgem e quando acontecem mudanças, nós ficamos desesperados, porque não estava previsto no roteiro ouvir aquele “recalculando a rota”, que tanto amamos(risos).

Sabe irmãos, eu estou falando destes três tipos de motorista, neste sofrível texto que vocês estão se esforçando para ler(obrigado mesmo), porque muitas vezes nós conduzimos nossas vidas exatamente assim, como alguém que sabe tudo, ou alguém que confia sua vida nos outros ou alguém que confia sua vida nos planos que já fez sobre si mesmo.

Quando confiamos em nossa capacidade de não errar, ofuscamos nossa impressionante predisposição ao erro e a ilusão de que estamos certos.Somos arrogantes e insubmissos por natureza, é reflexo da natureza decaída de Adão, (Rm 3.23), e por não ouvirmos e aceitarmos o que é melhor para nós sempre chegamos a lugares que não queremos, indo pelos caminhos que achamos certos e personificamos Provérbios 14.12 que diz: “Há caminho que parece certo ao homem, mas ao final conduz à morte.

Muitas vezes, também terceirizamos nossas opções e escolhas a opinião alheia, não nos preocupamos em tomar as atitudes pertinentes e os cuidados necessários para a edificação de nossas vidas, confiamos cegamente em líderes, em “gente de deus”, em amigos, em namorados(as), amigos e coisas do tipo, só que não falamos de um simples erro de endereço, mas de erro nas atitudes, nas escolhas e nas decisões que sequer dimensionamos onde nos levarão. Deixamos que outros orientem o caminho que vamos trilhar, deixamos que outros delimitam a vida que nós viveremos, e sinceramente, aos olhos de Jr 17.5: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia nos homens(...), cujo coração se afasta do Senhor”, não me parece uma escolha inteligente.

Por fim, quantos de nós não já fizemos planos e mais planos, projetos perfeitos e meticulosamente desenhados para nossas vidas: “ ah meu ministério vai ser assim”, “ vou casar com fulana(o)”, “quando eu passar nesse concurso vou me dedicar a obra do Senhor”, só que quando não dá certo, ficamos literalmente com cara de paisagem(pra não dizer outra coisa). Quando ouvimos  o “recalculando a rota”, muitas vezes perdemos o chão, a esperança e até a vontade de continuar caminhando.

Mas tesouro não se guarda em caixa de papelão, e nós insistimos em colocar nossas esperanças naquilo que pode ser facilmente violado e destruído, nossas próprias expectativas. Talvez falte em nós um pouco do discernimento do profeta Isaiás em Is 55.9,10: "Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos, declara o Senhor.

Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos.”

Talvez a melhor opção de direção que temos nessa vida, seja não dirigirmos mais nossos passos, não confiar no nosso GPS, instinto ou nos outros e sim nAquele que não apenas conhece, mas criou todas as coisas, e que pode nos conduzir pelo caminho que devemos trilhar até o lugar que queremos alcançar, o centro de sua vontade.

Não que devamos nos omitir e não fazer a nossa parte, mas se Ele pode fazer tudo infinitamente melhor do que eu, por que não entender que é Ele quem deve dirigir a minha vida? 

Pensando bem, ser carona nessa viagem é bem melhor, deixar que nosso Pastor nos conduza pelo caminho e aproveitarmos a segurança de sua companhia até o local de destino, até por que ouvi dizer que Ele sempre nos leva a um lugar onde as águas são bem mais tranquilas...

Na paz  e no amor de Cristo.

Sem. André Oliveira