Mediante o que vemos de trabalho em prol do evangelho dentro das igrejas, fica difícil pensar no que efetivamente é digno de galardão, no qual Paulo menciona em sua carta aos Coríntios. A igreja de hoje é uma empresa, tem objetivos, metas, planejamento, ou seja, tudo que uma instituição comercial tem. Quando olhamos para a membresia a coisa não é diferente, assim como nas empresas há concorrência entre os profissionais, nas igrejas existe a concorrência entre os pregadores, lideranças e músicos que se esquecem do que o próprio Cristo disse sobre quem quiser ser o maior que seja o menor. Tendo em vista este panorama, vemos que nunca foi tão necessária a competência para dirigir a “instituição” igreja, até porque não basta mais ser um pastor “cheio do Espírito Santo”, é necessário ter conhecimentos sólidos de administração, gestão de pessoas, marketing, sonoplastia, música, psicologia dentre outras tantas áreas que fazem parte do organismo contemporâneo ao qual chamamos de igreja. Não acho que não sejam válidos estes conhecimentos, porém não devem ser vistos como de fato o são, ou seja, como principais.
Lendo a carta de Paulo aos Coríntios, vemos no capítulo 13, um cântico que é uma chamada ao principal que tem sido deixado de lado. Paulo começa falando do que é importante, porém não principal. Ele diz que ainda que falasse a língua dos anjos, que pode ser o dom de línguas, ou ainda que falasse a língua dos homens, fazendo referência à comunicação, se não tivesse amor isso apenas seria barulho, aliás, barulho é o que temos de sobra nas nossas igrejas, mas quanto deste barulho tem amor? Quanto do que é falado dos púlpitos, cantado nos cânticos ou tocado com os instrumentos tem uma demonstração de amor que seja dada ao Pai ou ao próximo?
Outro ponto que Paulo fala é sobre o conhecimento que da mesma forma que é tão valorizado nos nossos dias já era destacado na igreja de Corinto. A cidade de Corinto era localizada na antiga Grécia, berço da filosofia. O conhecimento era tão valorizado que chega ao ponto de Paulo exortar no início da sua carta que o seu conhecimento não era humano e sim divino e, além disso, existiam divisões na igreja entre os que eram de Apolo e os que eram de Paulo. Era nítido que esta igreja estava olhando e priorizando o conhecimento humano ao invés do conhecimento divino. Sendo assim, fica fácil ver porque esta igreja tinha sérios problemas de imoralidade em seu seio. Até porque o conhecimento sobre Deus não leva a Deus e sim conhecê-lo. Da mesma forma temos este reflexo nos nossos tempos ao qual se perde muito tempo com o “culto”, porém pouco tempo com o cuidado mútuo e práticas cristãs básicas como a leitura devocional e a oração. Mas e o amor? Bem, não se tem muito tempo para demonstrar amor até porque há coisas “muito mais importantes” para se cuidar como o vocal do louvor e a cor da faixada da igreja. Mas nós não somos irmãos? Este pode ser um dos jargões mais hipócritas que foram criados. É muito difícil ter que ouvir pessoas nos chamando de irmãos e dizendo que nos amam quando na verdade pouco se importam com nossos problemas e crises.
Mas afinal o que não é palha? Quando pensei neste titulo quis fazer uma referencia ao texto de Co 3.12 ao qual Paulo diz que nossas obras serão provadas pelo fogo e o que for queimado era apenas palha. Refletindo sobre o texto de Co 13, vejo que todas nossas obras devem ser motivadas pelo amor. Vou mais além, no texto original grego a palavra amor está como ágape, o que demonstra que não é simplesmente um amor fraternal e sim amor sublime ao qual o doamos com todas nossas forças, ou seja, o nosso melhor. Tarefa muito difícil esta, ainda mais tendo em vista que este tipo de trabalho não dá ibope. Olhando por este lado achei muita palha naquilo que supostamente fiz para Deus. E você?
